Dados do
Sindimar apontam que a principal faixa de ocupação
das marinas vai de Bertioga a São Vicente. A área
conta com 34 unidades, que guardam quase 3 mil embarcações
e empregam cerca de 4.500 pessoas, levando-se em conta que cada
barco necessita de 1,5 funcionário para manutenção,
em média.
Para mostrar
a importância de Guarujá enquanto centro náutico,
Ricci comenta que uma das maiores fabricantes de barcos de lazer
e esportes do Brasil, a Intermarine, tem o município
como quartel-general. Segundo o empresário, todas as
embarcações produzidas pela empresa são
entregues para os clientes na Porto Marina Astúrias,
da qual ele é diretor.
O nível
de investimento em cada marina pode ser identificado pelos guindastes
Travel-Lift, existente na Porto Astúrias. De última
geração, o modelo é capaz de retirar embarcações
de até 50 toneladas do mar, servindo de transporte até
um dos oito galpões com 1.800 metros quadrados cada,
totalmente fechados. ‘‘Nossa capacidade máxima
é de 600 embarcações e hoje estamos com
a metade’’. Para manter esta estrutura, o local
conta com 70 funcionários fixos.
Ricci assegura
que o setor náutico em Guarujá não deve
nada para empreendimentos estrangeiros, mas lembra que as marinas
ainda sofrem com impedimentos legais de cunho ambiental, que
se somam às dificuldades de se arrecadar em moeda nacional
e comprar equipamentos em dólar.
‘‘Outro
problema para o desenvolvimento do setor é que os barcos
ainda são um produto caro. Isso porque faltam incentivos
fiscais para baratear o custo final, como já acontece
na indústria automobilística’’. Ele
considera que, em vista dessas barreiras, não adiantaria
construir novas marinas na região. ‘‘Todas
têm espaço ocioso’’.
O município
conta com dois pontos de concentração do setor:
o Canal de Bertioga e o Complexo Industrial e Naval de Guarujá
(Cing). Em qualquer local, a estrutura encontrada impressiona.
Da estrada
Guarujá-Bertioga, onde fica o primeiro pólo, ou
da travessa da Estrada do Tombo, pela qual chega-se ao segundo,
é possível identificar de longe galpões
enormes. Dentro das marinas, barcos de valores astronômicos
servem de lazer aos seus proprietários.
‘‘A
atividade náutica é a grande vocação
de Guarujá, mas ainda faltam investimentos’’,
afirma o secretário do Desenvolvimento Urbano e Ambiental,
Duíno Verri Fernandes, um dos pioneiros no setor, no
Canal de Bertioga.
Há
18 anos dirigindo a marina Por-do-sol, ele recorda que a situação
vem melhorando. Para ele, a primeira importante mudança
foi a prefeitura liberar a instalação de garagens
náuticas na Praia da Enseada, por volta de 1984. ‘‘Como
o Canal de Bertioga apresentava vantagens pela tranquilidade
das águas, logo o espaço também foi ocupado’’.
Por último,
o município ganhou o CING. Uma área de 1 milhão
570 mil metros quadrados, divididos em 54 lotes que foram adquiridos
por 19 proprietários. Ocupando canais naturais e artificiais,
o empreendimento dispõe de heliporto, estacionamento
amplo, estaleiros e posto de abastecimento. Embora elogiem a
iniciativa, empresários do setor destacam que o desenvolvimento
do espaço ainda é limitado por entraves ambientais.
Além
das marinas trazerem benefícios diretos ao município
, elas funcionam como importante atrativo turístico da
região. Entretanto, a falta de um programa específico
para a divulgação dos serviços limitam
a exploração do setor, segundo empresários.
‘‘A
atividade de lazer náutico é cara e exige investimentos
altos. Por outro lado, atraem pessoas de bom nível e
possibilitam um retorno imediato’’, comenta Duíno
Verri Fernandes. Para ele, o setor seria melhor aproveitado
se houvesse maior participação da rede hoteleira
do município.