Os
manguezais são ecossistemas restritos aos litorais tropicais e
subtropicais, os quais desenvolvem-se na zona entre marés e localizam-se,
geralmente, na desembocadura de rios.
Estão sujeitos a inundações periódicas por água do mar e água
doce, sofrendo flutuações abruptas e pronunciadas de salinidade
(Carmo, 1987). São considerados como a interface que liga o ecossistema
de terra firme com o ecossistema estuarino costeiro.
No
Brasil, os manguezais estão distribuídos em quase todo o litoral,
do Amapá a Santa Catarina.
Nossos
manguezais estão seriamente ameaçados pela expansão urbana, obras
de engenharia, lixões, marinas, aterros e cultivo de camarão.
De
todos os ecossistemas, o manguezal é um dos mais produtivos e
também o mais vulnerável aos efeitos do desenvolvimento econômico
e do crescimento desordenado das populações humanas
O
principal valor dos manguezais está na produção e exportação de
detritos orgânicos para as águas estuarinas. Os detritos em suspensão
nas águas, compostos principalmente por fragmentos de folhas de
mangue, formam a base alimentar de diversas espécies de caranguejos,
camarões e peixes.
Devido às condições que oferecem, os mangues são considerados
ecossistemas altamente produtivos, garantindo alimento, proteção,
condições de reprodução e crescimento para muitas espécies de
valor comercial.
Os
manguezais exercem ainda outras funções, consideradas como benefícios
ou serviços gratuitos à comunidade, tais como:
proteção das áreas de terra firme contra tempestades e ações erosivas
das marés; retenção de poluentes;
retenção de sedimentos finos carreados pelas águas, favorecendo
a manutenção dos canais de navegação; manutenção e conservação
de estoques pesqueiros do estuário, garantindo a piscosidade na
região;
recreação e lazer (pesca esportiva, turismo ecológico, etc.).
A
vegetação arbórea do manguezal é composta por poucas espécies.
Todas com adaptações estruturais e fisiológicas para sobreviver
nesse ambiente de solo pouco compactado, pouco oxigenado e freqüentemente
inundado pelas marés.
Nos mangues da Baixada Santista e de todo o litoral sudeste do
país, além de uma variedade vegetais como algas,
líquens e bromélias,
ocorrem apenas três espécies de porte arbóreo:
Rhizophora
mangle (mangue vermelho),
Avicennia
schaueriana (mangue negro),
Laguncularia racemosa (mangue branco).
A
fauna do manguezal, de acordo com Leonel (1986), inclui um conjunto
complexo de animais residentes, semi-residentes e visitantes.
A zona entre-marés é dominada por crustáceos,
como o carangueijo-ucá
e o carangueijo-aratu,
cracas e por moluscos, como ostras
e caramujos.
Os semi-residentes são, principalmente, peixes que podem passar
uma fase da vida no mangue ou que avançam e recuam diariamente,
dependendo da maré.
De modo geral, a maior parte do pescado capturado nas águas litorâneas
como tainhas,
camarões e robalos dependem da
integridade desse ecossistema, pois aí são abrigados durante sua
fase jovem e em época de postura.
Nos
manguezais da Baixada Santista apesar da destruição, uma parte
permaneceu conservada e um bom exemplo podemos ainda encontrar
em Bertioga. O acesso é possível através do canal que separa Guarujá
de Bertioga onde existe uma população típica de aves aquáticas
e também alguns mamíferos
como o guaxinim,
a lontra
e a pequena paca
entre outros.
Os
manguezais de Santos e de Cubatão são bastante atraentes para
as aves aquáticas devido a presença de grandes bancos de lodo
com uma grande riqueza em crustáceos
e moluscos. No rio Morrão encontra-se
um ninhal de aves, onde centenas de guarás
além de garças-azuis,
garças-brancas
e socós-dorminhocos
se reproduzem.
(Fonte:
Fundação Guará-Vermelho - Relatório Técnico, Robson Silva e Silva).
Entre
as aves migratórias encontre-se a águia-pescadora
principalmente durante entre outubro e abril. Já foram observadas
até 15 exemplares.
(Fonte:Fundação
Guará-Vermelha)
A
águia-pescadora também foi avistada durante alguns anos
em Bertioga, outras visitantes são as Batuíras-de-bando
(entre outubro e abril) e os maçaricos.
Na
região dos manguezais de Santos e Cubatão o jacaré-de-papo-amarelo
ainda está sendo caçado para a obtenção de sua carne, ou em alguns
casos, são mortos e deixados apodrecer.
Texto:
Izabel A.Z. Fonseca
Imagens: Simone M. Wagemaker & Erika Karnachauvas:
* Izabel A.Z. Fonseca
é membra da ACIMA
- Associação de Profissionais em Ciência Ambientais e Mestra
em Ciência Ambiental.
* Simone M. Wagemaker foi artista
plástica, professora de composição e multimídia na universidade
Santa Cecília de Santos, SP. (Falecida em 22/02/2008).
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